O espelho Hamlet

Pedro Süssekind.

Em 10 encontros, Pedro Süssekind conduz uma leitura de Hamlet, de William Shakespeare, levando em conta seu contexto histórico, seus aspectos formais e sua relação com diferentes campos do saber, como a literatura, o teatro, a filosofia e a psicanálise. Essa leitura será feita segundo duas abordagens distintas: (1ª) uma abordagem histórica, baseada na pesquisa das fontes e das referências da tradição que o autor de fato integrou à peça; (2ª) uma abordagem ligada à estética da recepção, com ênfase em diversas leituras da tragédia Hamlet por autores posteriores a Shakespeare.

O espelho do título deste curso é uma espécie de chave para a análise da peça. O próprio Hamlet afirma que o teatro é um espelho da natureza e usa o espelhamento de uma peça para desmascarar o vilão, revelando “teatro” da corte. Por outro lado, sua identidade multifacetada é construída a partir das imagens em que ele procura se espelhar: o pai guerreiro, o ator emocionado, os vingadores impetuosos como Fortimbrás e Laerte. Com isso o personagem pode se tornar, dependendo do leitor que com ele se identifica, um filósofo cético e genial, ou um rapaz melancólico com tendências suicidas, ou um vingador hesitante que enlouquece, ou um filho neurótico tomado pela paixão edipiana, ou um estrategista brilhante e maquiavélico que dirige sua própria tragédia. Em que medida a peça absorve todas essas leituras? Em que medida os leitores e espectadores de cada época – entre os quais figuramos – projetam sobre Hamlet sua visão de mundo?

 

02 de abril (aula 1)

Introdução / parte 1

Contextualização: sobre a interpretação de Hamlet; contexto histórico de Shakespeare e do teatro elisabetano; Hamlet entre as quatro grandes tragédias; as fontes da peça e seu enredo.

09 de abril (aula 2)

Introdução / parte 2

O texto e suas características: sobre Hamlet: versões e originalidade; sobre os solilóquios; o que Shakespeare lia quando escreveu Hamlet?; a recepção crítica de Shakespeare ao longo do tempo.

16 de abril (aula 3)

Ato I: o fantasma

Convenção do gênero “Tragédia de vingança”; 0 príncipe melancólico (primeiro solilóquio); mais coisas no céu e na terra do que sonha a tua filosofia; à sombra do pai; a revelação do crime.

30 de abril (aula 4)

Ato II: a “loucura” Hamlet

O suspiro; a carta a Ofélia e o príncipe antes da tragédia; “entra Hamlet lendo”: diálogos cômicos entre Hamlet e Polônio; Rosencranz e Guildenstern: espiões; o encontro com os atores; Hamlet tem uma ideia (segundo solilóquio).

07 de maio (aula 5)

Ato III: a peça dentro da peça

Hamlet e Ofélia; “ser ou não ser” (terceiro solilóquio); Hamlet como autor e diretor; teatro que desmascara o teatro (peripécia principal); o vilão desmascarado e a hesitação do príncipe; o confronto com a rainha e a morte de Polônio.

14 de maio (aula 6)

Ato IV: o exílio de Hamlet e a tragédia de Laerte

A partida de Hamlet e o encontro com Fortimbrás (quarto solilóquio); o drama de Laerte; a loucura de Ofélia; o navio pirata (nova peripécia); os planos maquiavélicos de Cláudio.

21 de maio (aula 7)

Ato V: desfecho trágico

O cemitério e o tema da morte; “Estar preparado é tudo”; o duelo; a morte trágica da família real; o sucessor.

28 de maio (aula 8)

Análises

Sobre a dimensão política de Hamlet: Shakespeare e o maquiavelismo; Hamlet x Cláudio.

04 de junho (aula 9)

Hamlet e a filosofia

Shakespeare e Sêneca: o estoicismo; Shakespeare e Montaigne: o ceticismo.

11 de junho (aula 10)

A recepção de Hamlet

Leituras filosóficas de Hegel a Deleuze; a importância de Freud; o espelho de Hamlet nas teorias de seus leitores.