Ciclo Hamlet

Fernanda Medeiros, Pedro Süssekind, José Roberto de Castro Neves, Renata Salgado, Carla Ribas, Enrique Diaz, Felipe Abreu, Ítalo Moriconi e Marlene Soares dos Santos.

Série de conversas acerca de uma das obras fundamentais da cultura ocidental. A proposta do ciclo é focalizar aspectos específicos da peça – os solilóquios, as personagens femininas, o tema da vingança, as três versões do texto atribuídas a Shakespeare –, bem como falar da vida de Hamlet fora das páginas do Bardo: no teatro, no cinema, na política, na filosofia, no Direito, em textos literários de outros autores.

21 de agosto

HAMLET e os espectros da política

Lendo Hamlet aqui, agora, para mim, para nós.  Príncipe intelectual, melancólico, perseguido pelo fantasma do pai. Filho eterno, herdeiro inescapável num tempo desconjuntado, incapaz de cumprir seu papel de vingador, que é também um dever de Estado, por livrar o reino de um usurpador. Nosso tempo aqui-agora se encontra desconjuntado, vivemos a melancolia da perda de referentes ideológicos, acossados pelas figuras espectrais de pais políticos: Marx, Gramsci, Pasolini. Lerei Hamlet de maneira pessoal, na trilha de Deleuze e Derrida: um experimento ensaístico.

28 de agosto

HAMLET e a filosofia

“Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que pode sonhar a tua filosofia”. Essa frase tão conhecida indica a riquíssima relação da tragédia Hamlet, de Shakespeare, com a tradição filosófica. Entre os diversos autores que comentaram a peça, Schopenhauer, Nietzsche, Deleuze, Walter Benjamin e Arthur Danto não só tentaram decifrar seus enigmas, como também se identificaram com o príncipe dinamarquês Hamlet, considerando-o um filósofo e projetando sobre ele suas próprias ideias. O objetivo do encontro é examinar a recepção da peça por parte desses filósofos, para entender como ela se mantém sempre atual e absorve as mais diversas interpretações.

04 de setembro

Os solilóquios de HAMLET

Hamlet, Príncipe da Dinamarca é a peça mais longa de Shakespeare, e seu protagonista o personagem que mais fala em toda a obra. Os quatro solilóquios do Príncipe (1.2, 2.2, 3.1 e 4.4) tornam-se, assim, um núcleo fundamental da tragédia HAMLET, e nesse encontro vamos tanto escutar a palavra teatral de Shakespeare, nas leituras de Carla Ribas, quanto discutir os temas, a construção e a função de cada solilóquio.

11 de setembro

HAMLET no teatro: Ensaio.Hamlet

Nesse encontro, conversaremos com o diretor Enrique Diaz e com atores que participaram da montagem de seu espetáculo Ensaio.Hamlet (2004), uma apropriação experimental-poética da obra de Shakespeare.

18 de setembro

As personagens femininas de HAMLET

Em uma peça dominada pelo protagonista, as personagens femininas, Gertrudes e Ofélia, são em grande parte construídas pelo filtro de seu olhar, seus afetos e de sua misoginia. A proposta dessa conversa é lermos juntos as cenas — poucas — em que as mulheres estão presentes, imaginando-as a partir do que efetivamente dizem, e não do modo como são ditas pelos personagens masculinos. A crítica feminista, a psicanálise, a filosofia e os saberes diversos da plateia serão convidados a participar.

25 de setembro

A responsabilidade em HAMLET

Hamlet não se limita a apenas uma, mas conta a história de diversas tragédias. Tendo o tema da vingança, ou do justiçamento pela vingança, como um de seus eixos fundamentais, apresenta, além do drama do príncipe da Dinamarca, vários outros: de Cláudio, de Gertrudes, de Ofélia, de Laertes, dos coveiros… Hamlet traz à cena o grande dilema humano referente à responsabilidade no enfrentamento das dificuldades, mas também se relaciona ao grande salto na história da civilização, com o ingresso na modernidade.

16 de outubro

HAMLET no cinema: filmando o infilmável

Com exibição de cenas-chave das adaptações de Hamlet por Laurence Olivier (Inglaterra, 1948) e Grigori Kozintsev (URSS, 1964), o encontro propõe destacar e discutir as distintas soluções audiovisuais para esta “infilmável” head play, na qual a reflexão, a hesitação e a palavra constituem o núcleo da “ação”.

23 de outubro

As tragédias do Príncipe e da Dinamarca

O título da peça é Hamlet, príncipe da Dinamarca, mas os problemas existenciais do protagonista que ele compartilha com espectadores/leitores provam ser tão fascinantes que obscurecem o fato de que ele é membro da família real dinamarquesa e que suas ações repercutem na vida sócio-política do país. A palestra se propõe a mostrar como a tragédia do príncipe é, também, a tragédia da Dinamarca.